Ferramentas de citação e coeficientes científicos das gigantes Microsoft e Google

Os coeficientes científicos são tentativas de dar valores quantitativos a um pesquisador, a uma pesquisa ou ainda a um periódico. Não é tarefa fácil, mas já é uma ciência implantada. A ciência que estuda essas medidas chama-se Cienciometria, ou em inglês, Scientometrics. Para saber mais sobre os tipos de coeficientes e como eles são calculados, leiam posts anteriores sobre este assunto:

Coeficientes científicos;
Fator de Impacto e Índice h

Os coeficientes mais aceitos pela comunidade científica são os produzidos pelo ISI Web of Knowledge.

ISI Web of Knowledge pertence a Thomson Reuters que pertence a Reuters, a maior agencia de noticias do mundo. Eles calculam os coeficientes apenas das revistas por eles indexadas, ou seja, revistas com indexação no ISI.

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Um concorrente do ISI é o SCOPUS. SCOPUS pertence a Elsevier, maior imprensa científica da Europa. Logicamente eles também só calculam seus coeficientes nas revistas por ele indexadas.

 

Acho interessante que grandes empresas se interessem em ciência e a suporte, mas não concordo com o controle ou restrição da informação. O problema com estes dois sistemas de quantificação cientifica acima citados são dois: o primeiro é o acesso restrito. O acesso acaba sendo no Brasil apenas para Instituições de ensino Federal e para Instituições que pagam assinatura. Isso limita a divulgação do conhecimento, fazendo com que sejam colocadas barreiras para as pessoas que querem participar da geração do saber.

O segundo, não menos grave, é o viés gerado pela seleção feita por estas bases de dados, que deixam de fora muitas publicações que não ficam no eixo EURO-AMERICANO da ciência. Existe uma série de publicações em países como a China, Índia e África do Sul que não podem mais ser negligenciadas por quem procura a boa ciência ou pelo menos uma ciência sem preconceitos.

Dentro desta linha, a primeira ferramenta interessante que pode ser citada é o Harzing, encontrada no site Publish or Perish. Desenvolvido pela Profa. Anne-Wil Harzing de Universidade de Melbourne, ele calcula os índices científicos de forma muito mais prática e rápida que o Scopus ou o ISI. Também tem a vantagem de não ter nenhuma restrição.

Ao contrário do Scopus e do ISI ele não usa base de dados própria para cálculo dos coeficientes, ele usa o Google Acadêmico, a base de dados científica do Google.

Veja como usar o Publish or Perish:

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Outras ferramentas muito interessantes de quantificação da ciência estão sendo montadas pelas gigantes da informática Microsoft e Google. Estão ainda em construção mas já é possível ver seus propósitos.

O Google já tem sua base de dados científica, que é muito usada, o Google Academico (Google Scholar), aonde nas buscas por artigos ele mostra o número de citações de cada artigo.

Uma das vantagens desta base de dados é que ela é aberta, não limitando as citações a revistas indexadas por uma determinada agência. A desvantagem seria uma queda de no controle da qualidade das publicações. Fica a discussão de quem deve avaliar o que deve ser lido ou medido como ciência, toda a comunidade científica ou os editores das grandes revistas.

O Google Acadêmico, não é novidade, mas o Google Scholar Citations é. Ele monta um perfil cientifico de cada autor, com suas publicações e seus coeficientes. É possível montar o seu. De uma olhada no perfil de Albert Einstein.

 

 

A Microsoft também esta criando sua ferramenta cienciométrica. Ela conseguiu criar gráficos que demonstram o network de citações de cada cientista. Ficou muito apresentável de fácil compreensão. O Microsoft Academic Search, ainda esta em fase beta e sua base de dados é pobre em relação a base de dados do Google acadêmico, mas em termos de representação gráfica sai na frente.

De uma olhada no gráfico de coautores:

 

 

E no gráfico de citações:

 

 

Alguns críticos colocam que estas ferramentas possuem muitos erros e não são confiáveis, segundo a revista Nature esses erros não são significantes.

Contra todo esse movimento de Cienciometria, seja ele com informações abertas ou fechadas, existe o Slow Science. Tem como preocupação o fato de que a ciência tem seu tempo e vem de um processo de pensamento que não pode ser acelerado ou medido de forma numérica. Eles pregam que não se pode privilegiar financeiramente os cientistas ou instituições que tem maiores coeficientes, pois estes muitas vezes são gerados artificialmente, como por exemplo, por auto-citação. Os privilégios deveriam vir pela importância das revelações científicas.

“… não somos twiteros ou blogueiros, a ciência tem seu tempo…”

Apesar de ser simpático a idéia de diminuição da produção industrial do conhecimento científico, esse movimento me parece nostálgico e utópico, em busca de um mundo que já não existe mais.

Fontes: Nature; Slow Science; Gilson Volpato

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Sobre Edmar Stieven Filho

Médico Ortopedista - Professor de Ortopedia da UFPR - Coordenador da Pós-graduação de Artroscopia e Traumatologia do Esporte da UFPR
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